segunda-feira, 13 de março de 2017

Evento de quadrilha junina em Sobral-Ce abraçou a causa ''Somos todos Dandara''

A Quadrilha Estrela do Luar de Sobral Ceará, realizou um evento neste sábado(11), em uma das apresentações da tradicional Rainhas G, duas dançarinas levantaram a faixa como o Nome de Dandara, Transexual que foi morta por homens e o vídeo de seu espancamento foi divulgado nas redes sociais e causou comoção em toda internet, a quadrilha postou uma nota sobre esse ato de solidariedade e de protesto contra todos os homofóbicos.

“A quadrilha Estrela do Luar entende que o movimento junino é um espaço político importante e de grande poder mobilizador. Por isso, na noite de ontem, no evento IV Rainha do São João, que prega o respeito à diversidade, tivemos que dedicar um momento para tocar nesse assunto tão sério. Reproduzimos aqui, na íntegra, o texto exposto ontem no evento.

Na semana passada um vídeo percorreu as redes sociais causando espanto e comoção a todos que o assistiram. Ele mostrava uma cena de violência que somente as mais bárbaras criaturas seriam capazes de lançar contra alguém. A vítima? Uma cearense. A travesti Dandara.

Na cena de terror, Dandara foi humilhada e espancada de diversas formas por um grupo de homens, em um ato de extrema crueldade. Segundo reportagens, após a sessão de tortura, ocorrida nas ruas do bairro Bom Jardim, em Fortaleza, ela teve sua vida findada definitivamente por um tiro, que embora não tenha sido ouvido por nós, segue ecoando fortemente em nossas consciências.

Poderia ter sido apenas mais um crime como tantos outros que ocorrem em um país tão violento e desigual como o Brasil, não fosse o fato do nosso país ser considerado o que mais mata indivíduos pertencentes ao público LGBT em todo o mundo. O caso de Dandara, que despertou a nossa atenção pela crueldade, apenas “coroa” uma realidade preocupante e completamente inaceitável. Basta que lembremos de Itabeli dos Santos, morto e carbonizado pela própria mãe, que se recusava a aceitar a homossexualidade do filho, em mais uma história de terror produzida pela lgbtfobia.

De acordo como o Grupo Gay da Bahia, somente em 2016 foram 343 casos de assassinatos de pessoas LGBT no país, sendo que deste total 43% eram travestis ou trassexuais, público considerado o mais vulnerável, diante da falta de oportunidades e perspectivas a que estão sujeitos. Vale lembrar que este número se refere apenas aos casos oficialmente registrados na imprensa e órgãos especializados, o que nos leva a crer que ele certamente é maior.

Infelizmente, apesar os altos índices de homicídios contra essa população, a impunidade ainda é grande e muitos assassinos e agressores permanecem livres, seja por negligência ou omissão da sociedade brasileira, que ainda se encontra profundamente ancorada em uma cultura machista e opressora. É pelo fim de barbaridades como as que foram expostas neste texto e pelo fim da impunidade de quem comete crimes contra o público LGBT, que dizemos: BASTA DE PRECONCEITO! CHEGA DE INJUSTIÇAS!

Somos todos Dandara! Somos todas as vítimas diárias da opressão e discriminação neste país”.

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