domingo, 11 de junho de 2017

Campanha pelo parto normal tem lançamento no Ceará

“A cirurgia deve ser a última opção, pois seu corpo está preparado para você ser mãe e esperar o trabalho de parto”. Esse recado às gestantes foi dado por Elba Cristina Barbosa da Cunha, mãe de Lia, ao final do seu depoimento durante o lançamento da campanha “Quem espera, espera”, na manhã desta sexta-feira, 9. Em parceria com a Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa), a iniciativa do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef) objetiva sensibilizar gestantes, profissionais e serviços de saúde sobre a importância do trabalho de parto espontâneo para a saúde da mãe e do bebê, bem como alertar mulheres e suas famílias sobre o direito das crianças de nascer na hora certa e sobre bebês nascidos antes do trabalho de parto espontâneo estarem mais sujeitos a problemas de saúde. Elba Cristina é mãe pela primeira vez e Lia nasceu em 20 de abril, de parto normal.

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O Ceará é o primeiro estado a receber a campanha do Unicef, lançada nacionalmente em 19 de abril. "A campanha faz parte de um programa maior da Secretaria da Saúde, na lógica das políticas públicas do Governo do Ceará para a saúde", observou a secretário adjunto Marcos Gadelha. No último dia 31 de março, o secretário da Saúde do Estado, Henrique Javi, lançou a linha-guia Nascer no Ceará durante o Seminário Internacional Mais Infância Ceará: Criança é prioridade. A publicação da Secretaria da Saúde do Ceará, em parceria com os projetos da primeira-dama do Ceará, Onélia Leite Santana, estabelece um conjunto de ações para o fortalecimento da linha de cuidado materno-infantil para garantir o acesso e qualificar a atenção a gestantes, puérperas e crianças menores de dois anos.

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Presente no lançamento da campanha “Quem espera, espera”, a superintendente executiva do Instituto da Infância, Luzia Laffite, sustentou que o "indício de infância saudável está no parto normal". O coordenador de Políticas e Atenção à Saúde da Sesa, Ivan Mendes Júnior, reforçou a necessidade de sensibilizar os profissionais de saúde, gestantes e suas famílias. Liduína Rocha, presidente do Comitê Estadual de Prevenção à Mortalidade Materna, Infantil e Fetal, alertou para o cuidado com as mulheres na situação de maior vulnerabilidade.

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Dagmar Soares, que representou a primeira-dama Onélia Santana, disse que "os profissionais de saúde têm responsabilidade muito grande na construção dessa história", se referindo à relação entre mãe e recém-nascido. Tati Andrade, consultora do Unicef, ressalvou que a campanha "não é contra a cesariana, que é intervenção importante quando necessária, mas é pelo direito ao parto espontâneo". Ao final, o obstetra Edson Lucena falou sobre as estratégias para redução de cesarianas desnecessárias na Maternidade Escola Assis Chateaubriand (MEAC).

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Partos no Brasil
De acordo com a análise divulgada pelo Unicef, cada semana a mais de gestação aumenta as chances de o bebê nascer saudável, mesmo quando não há mais risco de prematuridade. As últimas semanas de gestação permitem mais ganho de peso e maturidade cerebral e pulmonar. De  acordo com o Unicef, o grande número de nascimentos entre a 37ª e a 38ª semanas de gestação está associado ao elevado número de cesarianas eletivas, sem fatores de risco que justifiquem a cirurgia, realizadas antes do trabalho de parto espontâneo. Metade dos partos realizados no setor privado ocorrem nessa idade gestacional.

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O elevado número de cesarianas coloca o Brasil em segundo lugar no mundo em percentual deste tipo de parto. Segundo o Unicef, enquanto a Organização Mundial da Saúde (OMS) estabelece em até 15% a proporção de partos por cesariana, no Brasil, o percentual chega a 57%. As cesarianas representam 40% dos partos realizados na rede pública de saúde e 84% dos partos na rede particular. Entre os estados com maior proporção de cesarianas estão: Goiás (67%), Espírito Santo (67%), Rondônia (66%), Paraná (63%) e Rio Grande do Sul (63%). No Ceará, essa proporção é de 58%.

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A análise do Unicef aponta os benefícios do trabalho de parto espontâneo para a mulher e o bebê. No momento do parto, são liberadas substâncias que ajudam no amadurecimento final do organismo da criança, como o hormônio corticoide, que age no pulmão. Para a mulher, o trabalho de parto ajuda também a liberar hormônios importantes, que vão prepará-la para a amamentação. Na plataforma da campanha (www.quemesperaespera.org.br) estão disponíveis informações sobre a importância de esperar pelo trabalho de parto, os tipos de parto, os mitos, as estatísticas e as histórias de mulheres sobre as experiências no parto.

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