sexta-feira, 13 de abril de 2018

Vacinação deve manter Ceará livre do sarampo, apesar de doença avançar no mundo

Com uma estratégia de enfrentamento da epidemia, iniciada em dezembro de 2013, que se tornou referência internacional, o Ceará foi declarado livre do sarampo em 2016, após o fim da transmissão do vírus, anunciado em 24 de setembro de 2015. O Ceará continua livre do sarampo, mas a ameaça a essa condição se aproxima com o recrudescimento da doença no mundo e o seu avanço no estado de Roraima, com 40 casos confirmados, e no Amazonas, quatro casos em Manaus. "Não podemos permitir que o sarampo volte ao Ceará", convoca a coordenadora estadual de imunizações, Ana Vilma Leite Braga. "Vamos vacinar e manter uma vigilância ativa e oportuna, detectando casos suspeitos o mais precocemente possível", recomenda.
As vacinas de rotina estão disponíveis em todos os municípios e permitem a prevenção, o controle, a eliminação e a erradicação das doenças imunopreveníveis. A população deve permanecer alerta para a atualização do cartão de vacinação. A vacina Tríplice Viral protege contra o sarampo, caxumba e rubéola e é indicada para vacinação da população a partir dos 12 meses até 49 anos de idade. A Tetra Viral, que protege contra o sarampo, caxumba, rubéola e varicela, é indicada para a vacinação de crianças com 15 meses de idade que já tenham recebido a primeira dose da vacina tríplice viral.
A Cobertura Vacinal estima a proporção da população alvo vacinada e supostamente protegida para determinadas doenças. Segundo o Ministério da Saúde, é considerada adequada quando, no mínimo, 95% da população alvo encontram-se vacinada. Esta meta de Cobertura Vacinal aplica-se para as vacinas tríplice viral, tetra viral e varicela. O Ministério da Saúde ainda recomenda o cálculo de homogeneidade de Cobertura Vacinal para avaliar as estratégias de imunização contra as doenças imunopreveníveis. No Estado, o parâmetro estabelecido para este indicador é que, no mínimo, 70% dos municípios apresentem Cobertura Vacinal adequada.
A experiência do Ceará no enfrentamento da epidemia de sarampo entre 2013 e 2015 valeu à Secretaria da Saúde do Estado o convite do Ministério da Saúde para o apoio às ações de prevenção e controle da doença em Roraima. Durante o mês de março, a coordenadora estadual de imunizações Ana Vilma Leite e a técnica Ana Karine Borges Carneiro estiveram em Roraima para colaborar com a equipe da Secretaria da Saúde daquele estado.
Sarampo no mundo
Atualmente, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), os países do continente europeu e africano registram o maior número de casos da doença. Em um ano, o número de casos da doença no continente europeu aumentou 300%, saindo de 5.273 em 2016 para 21.315 em 2017. Romênia, Itália, Ucrânia, Grécia e Alemanha são os países mais atingidos. Na região das Américas, em 2017 foram notificados 272 casos na Argentina (3 casos), Canadá (45 casos), Estados Unidos de América (120 casos) e Venezuela (104). Países da África e da Ásia também relataram surtos de sarampo entre 2016 e 2017.
A circulação do vírus no Brasil deve ser interrompida o mais rapidamente possível, a fim de manter eliminada essa enfermidade do país. Para tanto, as ações de vigilância epidemiológica, laboratorial e de imunizações são imprescindíveis para interromper a circulação do vírus. Os municípios devem informar semanalmente ao Estado se houve ou não casos suspeitos em suas unidades, realizar busca ativa mensal e acompanhar as coberturas vacinais da tríplice viral. O objetivo é desencadear as medidas de prevenção e controle de novos casos e a identificação desses casos de maneira imediata.
Em março de 2018, a coordenadora de Promoção e Proteção da Saúde (Coprom) da Sesa, Daniele Queiroz, participou de evento no Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), nos Estados Unidos. Na ocasião, foi apresentada a estratégia adotada no Ceará para o enfrentamento ao surto de sarampo em 2015.

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